Publicado em 29 de Novembro de 2007
Iniciada no dia 31 de outubro, a temporada 2007/2008 de cruzeiros de cabotagem (com início e fim na costa brasileira) segue até 6 de abril do próximo ano e deve registrar um crescimento de 29% em comparação ao período anterior. Ao todo, 430 mil cruzeiristas embarcarão em 14 navios. Trata-se de um setor que vai de vento em popa. Na temporada passada, foram pagos mais de 20 milhões de dólares em comissões a agentes de viagens e 330 mil hóspedes embarcaram em cruzeiros marítimos no Brasil, um crescimento de 56% em relação a 2005/2006. Entre novembro de 2006 e março de 2007, a venda de cruzeiros marítimos gerou uma receita bruta de US$ 202.257.430 e mais de 3.700 empregos diretos. Os dados são da Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas (Abremar). Em terra firme, a situação é outra.
Ao navio, foram incorporadas 32 novas suítes, novas acomodações para os quartos e uma variedade das mais populares marcas registradas da Celebrity Cruises, dentre elas: Martini Bar, Cova Café, Sushi Café, Michael’s Club, jazz/piano bar, cassino, Boutique C, AquaSpa by Elemis, Acupuncture at Sea (sala exclusiva para acupuntura) e Online@Azamara (sala com computadores e acesso à internet). Entre maio e outubro de 2007 o Azamara Journey fez roteiros pelas Bermudas. Só as obras de reforma desse gigante custaram US$ 18 milhões.
Maragogi – Profissionais ligados ao turismo e a hotelaria em Alagoas, consultados pela Gazeta, foram unânimes em afirmar que os cruzeiros disputam mercado com os resorts, estes em larga desvantagem.
A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) e a Associação Brasileira de Resorts (Resorts Brasil) encaminharam pleito aos ministérios do Turismo e da Fazenda para que a lei de cabotagem nacional seja revista.
O coordenador do curso de Turismo e Hotelaria da Escola Agrotécnica Federal de Barreiros (EAFB), Plínio Guimarães, afirma que resorts e cruzeiros disputam o mesmo tipo de cliente: turistas que gostam de praia, bons pratos e mordomias, sem contar que, para muitos, fazer um cruzeiro ainda é uma novidade.
“Talvez os cruzeiros sejam hoje os maiores concorrentes dos resorts. Poderíamos dizer que são concorrentes móveis, que por esta característica levam certa vantagem, pois podem se deslocar em busca de melhor ocupação, fugindo da sazonalidade, o que não é possível com os meios de hospedagem tradicionais”, observou Guimarães.
Recife (PE) – Com uma política agressiva de preços e uma diversificação de roteiros, os cruzeiros avançam em águas calmas, longe da turbulência em que estão metidos os resorts. A Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas (Abremar) avalia que os viajantes são motivados por uma atraente relação custo/benefício, pois além do transporte, o cruzeiro garante o acesso a várias atividades de entretenimento, com comodidade e segurança. Há roteiros para todos os gostos: gastronômicos, passeios para solteiros, shows com artistas brasileiros de renome, festas comandadas por DJs famosos e até os temáticos, como os de fitness.
Enquanto os cruzeiros festejam os resultados positivos, os resorts amargam perda de mercado. Segundo dados da Resorts Brasil, o setor vendeu, na temporada passada, 1,7 milhão de diárias, queda de 4% em relação a 2005. A taxa média de ocupação neste período caiu de 55% para 53%. “Os cruzeiros cresceram demais e a gente, de menos”, avaliou o gerente do Salinas do Maragogi Resort, Ricardo Almeida.
Severino Carvalho
Gazeta de Alagoas - AL
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